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Quando uma aula com Slides não funciona?


Sempre gostei de inovar! Dar as mesmas aulas dias seguidos, anos seguidos… nunca foi a minha.

Logo que pude, montei aulas muito boas ( ao menos ao meu ver !) no Power Point e … avante! Nas primeiras aulas, fiz o maior sucesso e os alunos amaram. Mas depois, virou uma chatice. Ao perguntar aos alunos o que estava havendo, o susto: Os melhores alunos achavam aquilo muito aborrecido. E a maioria, preferia o quadro de giz ( no caso de algumas turmas, o quadro de Pilot).

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O que estava havendo com a minha geração conectada?

Uma das minhas primeiras percepções foi que o Power Point, por mais lindo que fosse, era estático, engessado. Um quadro, a gente escreve apaga, desenha, puxa dali e daqui. É mais interativo !

Um artigo da PORVIR, veio me ajudar a entender o que estava acontecendo.

Além da falta de interatividade, os meus slides estavam cheios de informações e isso não é bom. Eu sabia, intuitivamente, que colocar muita coisa em um slide poluía. Mas mesmo assim, muitos alunos reclamavam que não conseguiam absorver tudo que estava na aula. Cansavam e ficava chato pra burro.

Power-Point-Sala-de-Aula

A explicação é essa:

Muita coisa para o estudante processar
Imagine o cérebro dos estudantes como uma caixa. Conforme você começa a jogar pedras, ela fica mais e mais pesada – e assim, é mais difícil para o estudante aguentá-la e mantê-la organizada. Basicamente, essa é a definição de carga cognitiva. Ela descreve a capacidade da memória do nosso cérebro em suportar e processar partes de informação. Todos temos uma limitação de memória, então quando temos que lidar com informações de mais de uma maneira, a carga fica mais pesada e mais difícil de ser controlada.

Outra coisa, essa eu nunca fiz, é ler o que está escrito nos slides. Isso causa uma redundância. Vamos à explicação:

A apresentação simultânea de um texto de modo visual e oral, como slides de PowerPoint, atualmente é muito comum nas salas de aula. Pense a respeito: quantas você entrou em uma sala ou auditório e viu uma professora lendo textos dos slides?

Um estudo australiano do final dos anos 1990 (o 1999 Kalyuga Study) comparou o resultado acadêmico de um grupo de universitários que assistiu a uma aula de um professor que usou texto e áudio (o que significa que havia palavras na tela enquanto ele falava) com um outro em que os alunos só ouviam a uma explicação sem PowerPoint. Os pesquisadores concluíram que a utilização de estímulos visuais com palavras durante uma apresentação aumenta a carga cognitiva, em vez de diminui-la.

Sempre achei que se está escrito, pra quê ler? Eu sempre deixei minhas apresentações online para meus alunos baixarem e, então, eles não precisavam nem copiar tudo. Mesmo assim, as aulas e não davam muito certo.

No caso das matérias que leciono, Biologia e Ciências, algumas imagens são tudo. Pra mim, que não sei desenhar, uma apresentação me dava uma ferramenta e tanto. E ai e que funciona.

Colocar imagens ajuda muito. Mas eu cometia um erro: escrevia, escrevia e… Mania a minha!

Escrever muito e colocar imagens enche o cérebro do menino de informações, a carga cognitiva aumenta.. dai babau!

Qual é a solução? Se você é como eu que não abre mão de escrever, coloque imagens e algumas palavras ( poucas, lembra de não encher o cérebro de seus alunos de informações!).

Como aliviar a carga
Então o que fazer? Como garantir que as crianças aprendam a partir de suas explicações orais em vez de ficarem com o cérebro saturado? (Empreendedores, saibam que isso também poderia ser aplicado em suas apresentações).

Richard Mayer, um neurocientista da Universidade de Santa Barbara e autor do livro “Multimedia Learning” (Aprendizado multimídia) oferece a seguinte receita: elimine elementos textuais de suas apresentações e passe a falar por tópicos, compartilhando imagens ou gráficos com os alunos.  (…)

Este método, segundo Mayer, é particularmente apropriado para assuntos em que gráficos geométricos e imagens são cruciais para a compreensão dos conceitos-chave, como cadeia alimentar, cálculo de área de uma superfície ou ciclo da água.

Outros estudos, como um outro estudo separado feito por Leslie et al (2012), sugere que misturar pistas visuais com explicações orais (em aulas de matemática e ciências, em particular) é essencial e eficiente. No estudo de Leslie, um grupo da quarta série que não sabia nada sobre magnetismo aprendeu significativamente mais quando teve contato tanto com imagens quanto com a explicação do professor em comparação a outro grupo que só teve a explicação oral.

Você é professor de ciências? Coloque uma foto dos dentes de um leão e de uma zebra na tela enquanto explica a diferença entre carnívoros e herbívoros. Ensina estudos sociais? Coloque em volta da data “1776” pinturas dos Pais Fundadores dos Estados Unidos assinando a Declaração de Independência (o mesmo vale para a História brasileira), em vez de incluir fatos relacionados em sua apresentação.

E se você tem dificuldades em tirar completamente as palavras de suas apresentações em PowerPoint, especialmente quando quer que os estudantes tomem nota, aqui vão mais algumas dicas:

– Limite-se a uma palavra por slide. Se for explicar termos, tente coloca-lo associado a um conjunto de imagens – e peça para os alunos para deduzirem;

– Obedeça ao “princípio da personalização”, que basicamente diz que atrair leitores entregando conteúdo de modo conversacional vai aprimorar o aprendizado. Por exemplo, Richard Mayer sugere usar muitos “Eus” e “Vocês” em seu discurso, porque alunos reagem melhor à linguagem mais informal.

As ideias são muitas e você, com certeza, fará melhor do que eu faço.

Vamos compartilhar?

( Leia mais aqui: Por que os alunos não aprendem com seus slides?)

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