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Contra as Pseudociências


Li o artigo sobre um “Antídoto contra pseudociências“. Acho bem importante o papel do Professor para “identificá-las e rebatê-las criticamente.” ( Leia também Pseudociências )

Copio aqui os trechos que achei mais interessantes. Mas acho que todo Professor de Ciências deveria ler na integra.

Não é de hoje a preocupação dos cientistas com as pseudociências – aquela panaceia de falsos conhecimentos que apenas aparentam usar os métodos da ciência, valem-se de uma linguagem que também se aproxima da científica, mas que, quando examinados à luz do rigor da evidência e da boa argumentação, caem por terra.

Ainda na década de 1990, o físico e astrônomo Carl Sagan, em seu agora já clássico livro O mundo assombrado pelos demônios – a ciência vista como uma vela no escuro(Companhia das Letras, 2006), alertava-nos para o risco que as pseudociências representavam e, sobretudo, para o fascínio que esses falsos (e enganadores) conhecimentos exerciam sobre as pessoas e sobre a mídia, em especial. A pseudociência, afirmou Sagan naquela oportunidade, “fervilha de credulidade”, “é mais fácil de ser inventada”, “mais fácil de apresentar ao público” e, sobretudo, eficiente, pois “fala às necessidades emocionais poderosas que a ciência frequentemente deixa de satisfazer”.

De que pseudociências Sagan falava? Lugares míticos e desconhecidos, com seus atlantes, lemurianos e habitantes do interior da Terra; técnicas espetaculares e curativas, como extrair petróleo no ar, valer-se de raios terrestres, beber água milagrosa ou passar por cirurgias mediúnicas ou, ainda, de potenciais superpoderes desconhecidos, como atravessar paredes, contatar extraterrestres, fazer viagens astrais – apenas para ficar em alguns exemplos.(…)

Por que a preocupação?

Em um excelente artigo publicado na revista Física na escola, em 2008,  o físico Marcelo Knobel, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), discute o avanço das pseudociências e como elas podem influenciar direta ou indiretamente nossas vidas.

Pense por um instante nas inúmeras crendices e lendas populares que circulam de boca em boca ou, sendo mais atual, pelas redes sociais. Certamente, a maioria delas envolve bizarrices, cujos efeitos são mínimos ou mesmo inócuos. Segundo Knobel, “não passam de objetos de ironia e diversão para uma camada da população mais instruída” e, quando muito, provocam “arranhões” na “já aparentemente consolidada imagem da ciência”. Ao lado dessas, no entanto, há “a pseudociência utilizada com má fé, destinada a usurpar o dinheiro da população” que “ingenuamente acredita em evidências casuais, rumores e anedotas”, pondera o autor.

Os exemplos das ‘pseudociências de má fé’ são muitos e diversos, principalmente na área de saúde, e com frequência encontram-se diretamente relacionados a prejuízos financeiros ou danos físicos e mentais.

Além dessa, há outra notícia ruim: os efeitos negativos começam a aparecer também na área de educação, com o avanço de ‘neuromitos’, ‘neurobobagens’ ou ‘neurolixo’ (o nome depende do grau de agressividade de quem faz a crítica) e de diferentes propostas de como usar, por exemplo, os conhecimentos produzidos pelas neurociências para “turbinar seu cérebro” ou tornar “seu filho um Einstein”. (…)

Dicas de ensino

Ficam aqui registradas, portanto, algumas ferramentas básicas indicadas por Carl Sagan para serem ensinadas desde cedo às crianças e indispensáveis ao nosso ‘kit’ pessoal de detecção da pseudociência: 1) esteja disposto a acolher fatos novos, mesmo que eles não se ajustem às suas preconcepções; 2) guarde hipóteses alternativas em sua mente, para ver qual se adapta melhor à realidade; 3) examine cética e rigorosamente as novas ideias e desconfie dos argumentos de autoridade.

Sobretudo em tempos de maior disseminação de informações e da amplitude que estas ganham nas redes sociais, essa última dica – desconfiar dos argumentos de autoridade – torna-se especialmente importante. Afinal, como disse Sagan, a “ciência está longe de ser um instrumento perfeito de conhecimento”, mas é “o melhor que temos” e, atualmente, simular os métodos e a linguagem da ciência e passar-se por “especialista” ou “cientista” têm sido um recurso frequente para se disseminar (e vender) pseudociência.

Vera Rita da Costa
Ciência Hoje/ SP

 

Ciencia-e-Pseudociencia

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3 Comments »

  1. Opa Andrea,
    Nada contra discutir as pseudociências… mas vejo com preocupação que isto pode se transformar no culto (muito presente nos nossos livros didáticos) da ciência como única ou a mais legítima forma de conhecimento.

    Acho que devemos relativizar tanto a ciência quanto as pseudociência! Todas são construções humanas logo cheias de coisas boas e ruins!

    abração

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    • Concordo! Mas isso tem que ser levado para as salas de aula. É uma competência que temos que construir com os alunos. Mostrar que nem a Ciência é a única forma “correta”de sabe e que tem muitas Pseudociências oferecendo coisas que não existem.
      Alias, até apresentar esse conceito de Pseudociências para os alunos.

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