A vida dos nossos ‘Canis lupus familiaris’


Sempre tive cães na minha vida. Cachorro para mim, era uma amigo para toda hora. Sempre preferi os de grande porte, mas era uma preferência. Agora, sempre tratei cães como cães.

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Essa mania de tratar cachorro como gente anda me tirando do sério. É cachorro no carrinho de bebê, é cão dentro dos shoppings, em lanchonetes , restaurants, lojas… Tudo bem se fossem cães guias, mas não, são bichinhos de estimação que estão sendo tratados com gente. E pior, os donos esperam deles o comportamento de gente, mas são cães e se comportam como tal. Claro, que um cachorro dentro de um restaurante com vários cheiros, se sente curioso e vai cheirar a todos. Acontece que não quero ser cheirada pelo cão alheio!!!

O que essas pessoas não entendem é que o cachorro foi uma evolução do lobo. O Homem primitivo ao final da era glacial estava mudando de vida, plantava e produzia mais lixo. Muitos animais acabavam “visitando”o lixo das primeiras comunidades humanas que não eram nômades, entre eles o lobo. “Os poucos lobos que nasciam sem ter medo de gente começaram a se alimentar melhor, já que não fugiam toda hora. Quem come melhor fica mais saudável, vive mais e faz mais sexo. Quem faz mais sexo deixa mais descendentes, passa seus genes para a frente. De carona, vão as características que fizeram o animal ter mais sucesso que os outros. No caso dos lobos comedores de lixo, a característica mais vital era uma só: não ter medo de gente.”

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Com o tempo, havia dois grupos distintos de lobos: os medrosos e os que viviam perto de pessoas. Outra transformação se deu quando os lobos começaram a se parecer com filhotes, mesmo adultos. Quem não se encanta com filhotes de mamíferos, olhe as fotos deles e você vira uma manteiga: olhos grandes, rosto arredondado… essas características são na verdade uma estratégia para que os adultos se encantem e tenham vínculos com filhotes ( mesmos os que não são os seus filhotes). Com os lobos, não foi diferente: adultos com jeitão de filhotes, fofos e dóceis… mais alimento, mais carinho, mais…. Com o tempo “viraram”os nossos fofos  Canis lupus familiaris.

Quando brincamos ou mesmo olhamos para os cães, um hormônio poderoso é lançado no nosso sangue: ocitocina. Esse hormônio desperta a sensação de apego por outras pessoas e é liberado, por exemplo, nas mulheres durante o parto. E é isso que nos faz apegar com esses bichinhos. E tem mais: eles aprendem bem rápido as nossas expressões corporais, algumas palavras ( alguns estudiosos dizem que não são as palavras e sim o tom de voz!) e fazem parte da nossa família.

E é ai que mora o perigo para os cães. Eles ainda nos vem como sua matilha e se comportam para se manter nela. Com isso, eles aprendem a se tornar a cara dos donos, ou seja: alguns têm problemas.

“Faça de conta que você é um cachorro. Seu dono pega a coleira e vocês saem para um passeio de manhã – se você tiver sorte, quem sabe à noite ele repita a dose. No resto do tempo, 98% do tempo, você fica no quintal ou enclausurado dentro de casa. Seu grande passatempo é tentar chamar a atenção do seu dono. Só que ele dificilmente tem tempo, ou energia, para brincar o tanto que você quer, até a exaustão. Ou você fica doido, ou começa a descontar a frustração fazendo o que não deve: rasga roupas e sapatos, faz xixi no sofá, come sabão, rosna enciumado quando alguém se aproxima do seu dono… Acredita-se que 42% dos cães tenham algum tipo de problema comportamental. E seus donos estão resolvendo isso do jeito moderno: com remédios. Já existem ansiolíticos, antidepressivos e até inibidores de apetite para cachorros. Nos EUA, primeiro país a liberar essas drogas, a coisa pegou. Em 2003, 25% dos cães americanos tomavam algum tipo de remédio. Hoje, são 77%. Mas será que é justo drogar nossos cachorros para que eles se adaptem melhor ao estilo de vida moderno, com pouco espaço e muita comida? “Muitos dos supostos ‘problemas’ são, na verdade, parte do comportamento normal dos animais”, afirma o veterinário Nicholas Dodman, da Universidade Tufts, nos EUA. O desenho animado 101 Dálmatas fez com que muita gente quisesse ter um cachorro dessa raça. Só que o dálmata foi criado, no século 19, para ser um cão de guarda: dominante, territorial e às vezes agressivo. “Isso contraria a expectativa das pessoas. Elas acham que os dálmatas são amigáveis como no filme da Disney”, afirma Dodman. Dopar os cachorros pode parecer cruel, mas não é totalmente inválido – os calmantes poderiam poupar muitos dos 1,5 milhão de cães que são sacrificados, todo ano, porque morderam alguém (e isso só nos EUA). Nossa relação com os cachorros já não é tão harmoniosa.”

O cachorro precisa de espaço, de passear, de atenção e de alimentação correta. Não é humano, não pode passear com carrinho ( não se exercitando), não pode ser tratado como uma criança boba, tem que ter limites, tem que reconhecer um líder, não pode comer bobagens… ou seja: Se você tem um cão, trate-o como um cão!

Para saber mais leia “Cachorros, por que eles viraram gente? “

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Andrea Barreto

Andrea Barreto

Sou professora de Ciências e de Biologia em Escolas da Rede Municipal e Particular do Rio de Janeiro ( Brasil). Elemento de equipe da Educopédia / Rioeduca ( Secretaria Municipal de Educação - RJ)

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