Antraz e as Armas Biológicas


Quando eu fiz vestibular e decidi por Ciências Biológicas, li um artigo que me marcou muito. Era um pequeno artigo do Jornal que eu levei por muito tempo comigo, infelizmente, acabei perdendo. O artigo falava de um grupo de pesquisadores que estudavam bactérias e vírus capazes de matar pessoas, para servirem de armas biológicas. O autor do artigo comparava estes pesquisadores com os que investigavam uma maneira de curar a AIDS ( doença que na época assustava a todos, sem cura e quem tinha era marcado para morrer). O que me marcou era o contraste de pessoas que se formaram como Biólogos, portanto, fizeram o juramento de proteger qualquer tipo de vida, estariam envolvidos em dois projetos: um para salvar vidas e outro para matar vidas.

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Mas qual é o perigo das armas biológicas?

Acho que se não são as mais perigosas, estão entre as mais cruéis. Usarei o Antraz como  modelo. O Antraz é uma doença causada por um tipo de bactéria – Bacillus anthracis – que entra no corpo pela inalação, atinge os Pulmões, percorre a corrente sanguínea e atinge os nódulos linfáticos. Então, acontece hemorragia, inchaço, queda da pressão arterial e, finalmente, a morte.

Esta doença não é passada de pessoa para pessoa. Os esporos ( que são as formas das Bactérias quando estão fora do corpo) têm que estar no ar para a pessoa “pegar”o Antraz.  Em uma guerra com armas biológicas, teríamos que contar com pessoas bem treinadas na manipulação destes esporos, que afinal de contas só devem ser colocados no cenário que se quer exterminar a população.

Como aconteceria isso? Veja alguns pontos para você entender:

  • O jeito mais mortal de fazer um ataque com antraz seria uma pulverização aérea por spray. Para flutuar na altura ideal para infectar o ser humano.
  • Em condições ideais, um ataque biológico com 100 quilos de antraz tem potencial para matar até 3 milhões de pessoas. No mesmo cenário, uma tonelada de gás sarin, uma arma química, causaria “apenas” 8 mil mortos.
  • Para causar destruição em massa, o antraz precisaria ser manipulado em laboratório para assumir a forma de esporo, um estágio em que a bactéria resiste a altas temperaturas e à falta de água, mas permanece viva e capaz de causar infecções.
  • Quando a pessoa inala um esporo de antraz, a coisa fica feia: a infecção que parecia uma simples gripe contamina rapidamente os pulmões e se espalha pela corrente sanguínea, liberando componentes tóxicos que levam à morte em 48 horas.
  • Para eliminar os esporos do ambiente, veículos, prédios e até o solo devem ser esterilizados com produtos químicos, como formol, ou incinerados. Só para dar uma ideia, o governo britânico levou mais de quatro anos para limpar a inabitada ilha escocesa de Gruinard, palco de testes com antraz na Segunda Guerra.
  • O antibiótico mais freqüentemente utilizado é a ciprofloxacina, em parte devido a rumores de que a União Soviética havia desenvolvido uma forma de antraz resistente à penicilina para uso em guerra biológica. Ela também é recomendada especificamente pela Food and Drug Administration (FDA é o órgão responsável por alimentos e remédios dos EUA). O tratamento para o antraz inalado deve ser iniciado muito cedo em relação à progressão dos sintomas. Se for iniciado depois que os sintomas tiverem progredido muito, a bactéria poderá ser morta, mas as toxinas permanecerão no corpo.

Você percebeu o perigo? Mesmo o tratamento é caro e tem que ser feito quase no momento da inalação. E é  bem fácil passar com um pouco de esporos por seguranças e  matar uma pequena cidade. Então, temos todos que ficarmos de olho. A mesma pesquisa que salva, pode matar!

Notas de Aula - Ensino Médio

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3 respostas »

  1. A ideia de uma guerra biológica é um tanto quanto assustadora, é muito simples uma coisa dessas sair do controle devido a possibilidade de mutação e outros fatores. Me lembro de quando eu era criança e ouvia meus pais conversarem sobre as cartas que foram enviadas com antraz dentro (acho que em 2002) e eu ficava pensando em quanto isso era perigoso haha. Queria perguntar também se esses esporos aguentam muito tempo aderidos as superfícies e se os antibióticos são eficientes afinal ^^

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Andrea Barreto

Andrea Barreto

Sou professora de Ciências e de Biologia em Escolas da Rede Municipal e Particular do Rio de Janeiro ( Brasil). Elemento de equipe da Educopédia / Rioeduca ( Secretaria Municipal de Educação - RJ)

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