Hora de falar sobre os óbvios!


Sei lá! Estou, a muito tempo, percebendo que é preciso falar sobre o que é óbvio. Talvez, estejamos pecando em nos omitir sobre isso. Até porque o óbvio é óbvio ( perdoe-me a redundância)!

Mas o que é óbvio para mim, pode não ser para você! Então, vamos aos óbvios meus !

Percebo que a “bagagem” que o aluno leva consigo , por vezes, não está sendo considerada a sério. Por algum motivo, esperamos que o aluno já esteja pronto para aquele conceito. E ele não está. Prevemos que nosso aluno tem uma mala de rodinha e ele possui uma necessair. Mas mesmo assim, passamos o conceito para o menino e ele não aprende. Em Ciências, o perigo é maior pois há um senso comum que não há pré – requisitos, mas eles existem sim. Por exemplo, ao ensinar célula temos que certeza que o aluno sabe o que define um ser vivo. Se ele não sabe, é chover no molhado. Cuidado!

Outra coisa óbvia é a avaliação. O tema é complexo mas vou falar de um ponto. Avaliar não significa dar prova. Avaliar é ver se aquilo que você teve a intenção de ensinar foi ensinado. Ninguém ensina, se o outro não aprende. Por inúmeras razões, um aluno pode não aprender aquilo que o Professor, com toda a presteza, tentou ensinar. É como vender: você vende algo se alguém não comprou ? Para medir o que você pensou em ensinar, temos que avaliar. E não é uma prova ( uma única prova) que vai fazer isso. A prova é como um retrato, se o menino fez careta não quer dizer que ele é careteiro.

Um prova não avalia. A avaliação é um conjunto de meios para se fazer um diagnóstico. Avaliamos no Dever de Casa ( ou Lição de Casa), nas respostas orais, nas perguntas feitas pelos alunos, em testes, em trabalhos de sala de aula, …

A avaliação escolar não deve ser empregada quando não se tem interesse em aperfeiçoar o ensino e, conseqüentemente, quando não se definiu o sentido que será dado aos resultados da avaliação.
A avaliação escolar exige também que o professor tenha claro, antes de sua utilização, o significado que ele atribui a sua ação educativa. (Publicação: Série Idéias n. 22. São Paulo: FDE, 1994
Páginas: 89-90) 
 

Avaliar é um processo não o fim ! Avaliamos para ver o que faltou, o que sobrou para darmos continuidade ao nosso trabalho.

Por fim, o que é comportamento? Um aluno mudo que não participa é bem comportado ? Definitivamente, os extremos não é o que queremos.  O menino que não para, não se concentra, não é um menino com prontidão para aprender. Algo tem que ser feito. Conversa, repreensão ( muitas vezes necessária), parceria dos pais, … tudo isso deve ser avaliado para ajudar esse aluno.

Mas a criança que se esconde em um silêncio, também está precisando de ajuda. Timidez é mortal ( falo isso de experiência própria, sou tímida e isso me atrapalhou muito!). O aluno que não se expressa está guardado dentro de si, está esperando ( ansiosamente) o momento de sair da casca! Basta alguém dar a mão. E se for você , Professor(a) ? As vezes, chegar perto, olhar no olho, conversar sobre outro assunto… ajuda nessa aproximação. Que tal tentar?

Tem outras “obvialidades “, no entanto isso fica para a próxima.

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2 respostas »

  1. É muito “óbvio” que vc está certa!!usahsuashua o ensino de fato é relativo. vc não vai pedir na educação física pra um aluno magro e que passa o dia inteiro fazendo esportes pra correr o mesmo que “o gordinho” que não consegue correr porquê tem asma…na hora de avaliar deve ser levado em conta(no meu ponto de vista)detalhes como o empenho do aluno, se a frequência está boa, e se não está, pq não está(problemas na família?dificuldades de saúde?)…enfim, avaliar um aluno por uma prova e basear a nota do aluna nessa mesma, é coisa do passado. A educação já está se adaptando pra um modo mais dinâmico de ensino sem muitos textos, com muitos diálogos, explicações, participações que antes os alunos tinham que ouvir a professora sem contestar. hoje já está diferente. parebéns pelo blog! é esse o caminho.

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  2. Oi Andrea! Temos sim que escrever sobre o óbvio (por mais que seja óbvio… rs…).

    Sobre os pré-requisitos em ciências, você está coberta de razão. Entupimos nossos alunos de conteúdo no ensino fundamental, para depois repetir todos esses conteúdos no ensino médio. Nos Estados Unidos e em países europeus, o conteúdo de Ciências (assim como de matemática, geografia, etc.) do Ensino Fundamental é muito menor do que o nosso. Eles seguem a regra: faça menos para fazer melhor. As provas de avaliação nacionais, e mesmo as internacionais como o PISA, cobram pouco conteúdo por si só: o foco é nas habilidades como interpretação.

    Sobre o óbvio da avaliação, concordo que avaliar não é sinõnimo de dar prova, discordo quando você diz que uma prova não avalia. Se você acha isso, então está dizendo que todos os vestibulares e concursos de nosso país não estão avaliando os candidatos. Talvez o que você quis afirmar é que uma prova não avalia o aluno como um todo… isso sim eu concordo! Há muito mais a ser avaliado! Mas para ser justo, essas avaliações devem ter instrumentos planejados com todo o cuidado, para não cairmos na armadilha da subjetividade.

    Sobre o comportamento dos alunos…. vixi, essa aí é difícil mudar, pois já se tornou cultural: o aluno não não abre a boca em sala é considerado bem comportado. Esse aluno pode estar percisando de ajuda, mas a escola o ignora, dando atenção demasiada aos chamados bagunceiros.

    Quando puder, visite meu blog: http://www.itaboray.com/blog

    Abraços

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Andrea Barreto

Andrea Barreto

Sou professora de Ciências e de Biologia em Escolas da Rede Municipal e Particular do Rio de Janeiro ( Brasil). Elemento de equipe da Educopédia / Rioeduca ( Secretaria Municipal de Educação - RJ)

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