Tenho aproveitado as Férias para por a leitura em dia. E ando lendo muito sobre ensino de Ciências, o que é ensinar Ciências. Em poucos livros, para ser sincera muito poucos mesmo, tenho me deparado com algo que acho óbvio: Ciências é uma disciplina inacabada !

Já explico. Muitas coisas que ensinamos em Ciências são teorias que ainda estão em estudo, ou que já não se sabe se não é bem assim. Lembro-me bem o dia em que Plutão foi anunciado no Jornal Nacional como um Planeta Anão. Eu tinha acabado de explicar os planetas do Sistema Solar para uma turma de 6o ano , claro que inclui Plutão. Ai veio a notícia, meus alunos correram para mim com a seguinte frase: ” Puxa, Andréa, tudo errado: Plutão não é planeta! Como você ensina errado pra gente!”

E é ai que está a maravilha no ensino de Ciências: o que está dito agora não é o definitivamente correto. E é também ai que está o nosso ( Professores de Ciências) desafio: Preparar as gerações que estão por vir para ver o aprendizado de  Ciências como um movimento eterno e entender que aquilo que se aprende hoje é o fio condutor para o que se aprenderá amanhã. O que se aprende em Ciências não é para sempre.

Pode bater aquela angústia, não é mesmo ? Diante de tanta informação, nosso aluno é , por vezes, mais rápido que a gente. Vem sempre um menino com aquela pergunta de uma coisa que leu sobre animais em tal revista. Você mal conhece a revista… e ai? E ai é hora de abrir o jogo: “Não sei! Você podia nos contar ? Prometo pesquisar para conversarmos melhor!”

E é isso que é Ciências ao final de tudo. Não é aquele saber quadrado, estruturado, limpinho ( e chato!) dos livros. É esse maremoto de informações e ideias que mudam na sua frente. O nosso aluno tem que saber navegar por isso. Mais do que ensinar sobre Briófitas e Pteridófitas, mais do que falar sobre Células e Evolução,… temos que mostrar para a turma que Ciências é um saber mutante, provisório e enormemente novo.

Mas não vamos jogar fora velhos mestres como Galileu, Newton, Pasteur e Darwin pela janela. Pasmem, já ouvi uma destas ” autoridades” em ensino de Ciências dizer que devemos passar batito por Pasteur porque é muito velho. Nada disso ! Esses são os nossos pilares. Devemos conhecer e  ensinar aos alunos, para ir adiante. Não sou a favor destes modernimos loucos que quer jogar fora anos de conhecimento. Mas devemos ir além e mostrar para nosso aluno que Ciência é um conhecimento que se constrói e reconstrói diariamente.

Termino aqui com a definição do INEP sobre letramento científico – só para deixar a pulga atrás da orelha do leitor!

Entende-se como letramento científico a capacidade de empregar o conhecimento científico para identificar questões, adquirir novos conhecimentos, explicar fenômenos científicos e tirar conclusões baseadas em evidências sobre questões científicas. Também faz parte do conceito de letramento científico a compreensão das características que diferenciam a ciência como uma forma de conhecimento e investigação; a consciência de como a ciência e a tecnologia moldam nosso meio material, cultural e intelectual; e o interesse em engajar-se em questões científicas, como cidadão crítico capaz de compreender e tomar decisões sobre o mundo natural e as mudanças nele ocorridas.

O letramento científico refere-se tanto à compreensão de conceitos científicos como à capacidade de aplicar esses conceitos e pensar sob uma perspectiva científica.

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