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Tragédia não anunciada

Não queria escrever sobre isso. Desde sexta -feira, estou lutando comigo mesma. Mas não vou esconder meus pensamentos sobre a tragédia que aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira ( em Realengo).

Era para ser mais um dia, ou mais um dia de aprendizado e descoberta… Mas não foi! Uma pessoa entra e atira em crianças inocentes. Não quero me ater ao assassino, até porque acho doentio ficar batendo na mesma tecla. Era um louco, que resolveu enlouquecer de vez dentro da Escola.

Mas quero escrever sobre sentimentos.

Eu estava em outra escola ( na Escola Particular ) quando tudo aconteceu. Soube por outra Professora em papo rápido durante a troca de turma do acontecido. Mas só quando cheguei em casa, percebi o tamanho da tragédia. Crianças mortas, feridas, desesperadas … em um lugar que deveria ser de construção de sonhos. Mais tarde quando olhei para os rostinhos e li os nomes dos meninos me emocionei. Pareciam meus alunos. Aluno é aluno: quantas Jéssicas, Milenas,  Biancas e quantos Rafaeis passaram pela minha mão.

Nas Escolas do Município acontece algo muito bonito e estranho: muitos alunos ali se sentem mais em casa do que na própria casa deles. Se sentem seguros, amados e respeitados. Por mais que sejam chamados atenção, por mais que tenhamos que dar aquela bronca … é na escola que se sentem bem.

E ai entra um homem, com dois revolveres na mão, balas, carregadores e tantas outras coisas, e, faz aquele estrago. Nada pode nos preparar para isso. Ninguém podia imaginar. Nenhum guarda, ou inspetor poderia parar uma pessoa assim. Era ex aluno, era da comunidade e podia entrar e sair normalmente dali.

O que fica comigo é uma sensação enorme de impotência, de não ter o poder de dizer que essas crianças são uma minoria. Não são mais alguns! São as Biancas,Larissas, Marianas … que tinham sonhos, ambições e potenciais. Eram meninos que podiam estar aqui na minha escola ou ai na sua escola. Podiam ser seus vizinhos, sobrinhos, filhos… Eram alunos da Rede Municipal Carioca. E isso não me sai da cabeça: Eram meus alunos!

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4 Comments »

  1. É exatamente assim que me sinto! Um sentimento muito forte de perda e medo! Eram, poderiam ser, meus alunos também! Fiquei assustada durante toda a tarde de quinta e na sexta-feira… Qualquer barulho diferente ficava sobressaltada! E quando ouvia o riso das crianças na Educação Física ou no recreio queria todos embaixo da minha asa, com medo do que poderia lhes acontecer…. Especialmente 5a, quando temos o treino de vôlei na escola e recebemos muitos ex-alunos, ex-atletas, foi complicado: não queria ver em cada rosto um assassino em potencial!!! Que loucura, meu Deus!!! Que loucura estamos vivendo…

    • É, Carolina!
      Não podemos deixar que o medo nos paralise. Nossos alunos precisam da gente. Temos que ser um porto seguro e forte para eles.
      Que loucura mesmo! Mas vamos superar, somos Professores da Maior Rede Municipal Brasileira ! E isso não é para qualquer um!
      Forças e beijos

  2. É complicado mesmo esse sentimento de insegurança e impotência. Mas tenho certeza que sairemos dessa mais fortes e mais unidos, dando prosseguimento ao lindo trabalho que já acontece nas nossas escolas. Um grande beijo!

    • Complicado sempre é, meu amigo!
      Mas Rafael, somos da Rede Municipal Carioca ( com letras maiúsculas) vamos levantar a cabeça e ir em frente.
      Nossos alunos merecem!
      Beijos

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