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Avaliação – O termômetro do professor

Estou realmente lutando contra essa resolução 946, que nos coloca diante da aprovação automática.  Por essa razão, escrevi esse “artigo”( nem sei se posso chamar assim!) sobre avaliação. Meu objetivo é mostrar para todos o que é de fato uma avaliação e o que , no meu entender, está errado na tal resolução. Leiam e comentem !

Muitas notícias estão abordando essa revolução na Educação Carioca que aconteceu no mês de abril. Ao assinar a resolução 946, a Secretária de Educação do Município do Rio, Senhora Sônia Mograbi, acabou com uma só cartada com a reprovação . Mas como isso vai influenciar, de fato, na vida e na formação deste aluno? Eu sou professora do município desde 1994, e, acho que tenho o dever de mostrar o que , provavelmente, irá ocorrer de fato.

Imagine a avaliação (qualquer que seja ela prova,teste, trabalho, observação direta, …) como um termômetro de um médico. O termômetro mede a febre do paciente. A pessoa com febre tem que tomar um antitérmico e ver a causa da febre. Depois de muitas mudanças , em 2005 estacionamos nos conceitos O para ótimo, MB para muito bom, B para bom, R para regular e I para insuficiente. Este era o nosso termômetro: com O , o aluno tinha atingido todos os objetivos traçados por nós . E com I, o menino podia ser reprovado. Não que o fosse de cara, pois nenhum professor gosta disso e acha que esse é seu objetivo final. Nós administrávamos os remédios: mais exercícios para o aluno ou ele ficava fora da hora fazendo recuperação, enquanto o professor dava aula em outra turma . Mas, às vezes, o remédio não fazia efeito. Então, depois de várias oportunidades, se reprovava. O I era um indicador da febre.

Agora, imagine que o mesmo médico foi avaliado e ficou abaixo da média esperada . Mas esse médico trabalha muito, não tem material e nem estrutura para atender, e, ainda tem sob sua responsabilidade 500 pacientes. O chefe do nosso médico, nada satisfeito, decreta que o termômetro está errado. E , no lugar de lhe dar maiores condições de trabalho e tempo para a total recuperação dos pacientes, ele troca o termômetro. Assim, o doutor tem um termômetro que é incapaz de medir a febre. Por experiência, ele sabe quais pacientes seus têm febre e precisa de auxílio. Mas a última moda na medicina ( pode ler na educação) é o tal termômetro! E o médico é avisado de que vai ganhar recursos se 90% de seus pacientes não tiverem febre. Não recursos para ele, mas sim para o seu consultório ( nem isso ele acredita mais!). E vida que segue… ele receita um remédio ali, outro aqui ! Alguns pacientes se recuperam, mas ele não pode exigir muito de ninguém. Nem dos que já poderiam sair da UTI, pois seu termômetro nem mede as grandes melhoras. Na dúvida, o médico dá muletas a todos: quem já pode correr ganha muletas e quem está acamado também ! “Vamos passear pessoal, os teóricos dizem que faz bem ! “ E todos vão de muletas ! Alguns rindo de si mesmos e outros se arrastando atrás.

Na Escola Municipal estaremos assim. Nosso termômetro não marca mais a febre e nem a recuperação completa ( nem I e nem O). O aluno que deveria ser reprovado, não o será pois isso acaba com qualquer auto -estima ( dizem as teorias). E o aluno que podia voar mais alto, não o fará pois … para quê ? O adolescente não tem essa maturidade para saber que tem que estudar para aprender. Ele pode até estudar com prazer, o que é o ideal sem dúvida, mas ele precisa saber que pode permanecer na série se não fizer o que lhe pedem. Mas na vida não é assim? Se os senhores não trabalharem o que acontece ? Só que a escola está totalmente desvinculada do mundo. Tratamos o aluno como um desvalido emocional, incapaz de se curar da febre. Quebrem os termômetros !

A única diferença do médico é que os pacientes irão morrer e nossos alunos ficarão com a falsa impressão de que estão evoluindo, pois passam de ano ! Os pais não terão mais como saber o que está acontecendo com seu filho de fato, pois só um conceito irá para casa ! O aluno será etiquetado em um só conceito ou R (regular) ou B ( bom) ou MB ( muito bom). Colocamos os conceitos todos em um liquidificador e pasteurizamos tudo . O menino não será visto como melhor em uma disciplina do que outra , o que é o normal porque todos nós temos aptidões diferentes. Ele será … R, B ou MB.

Estamos matando aos poucos esses garotos, devagar , bem devagar, de-va-gar-zi-nho,… Tirando as oportunidades, vendo o aluno da escola municipal como um pouco capacitado,…é uma covardia ! Não quero e não vou compactuar com isso . A população tem que ser bem esclarecida: nós, professores, não concordamos ! No final do ensino fundamental, na 8a série ou 9o ano ou final do 3o ciclo, todos ganharão o diploma! Será uma bela estatística ! Mas do que valerá o diploma ? O que será destes meninos ? Como ganharão a vida ? Façam mais presídios, diminua mais ainda a idade penal, … e sejamos honestos: fechem as escolas públicas !

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11 Comments »

  1. Estou realmente lutando contra essa resolução 946, que nos coloca diante da aprovação automática. Por essa razão, escrevi esse “artigo”( nem sei se posso chamar assim!) sobre avaliação. Meu objetivo é mostrar para todos o que é de fato uma avaliação e o que , no meu entender, está errado na tal resolução. Leiam e comentem !

    Muitas notícias estão abordando essa revolução na Educação Carioca que aconteceu no mês de abril. Ao assinar a resolução 946, a Secretária de Educação do Município do Rio, Senhora Sônia Mograbi, acabou com uma só cartada com a reprovação . Mas como isso vai influenciar, de fato, na vida e na formação deste aluno? Eu sou professora do município desde 1994, e, acho que tenho o dever de mostrar o que , provavelmente, irá ocorrer de fato.

    Imagine a avaliação (qualquer que seja ela prova,teste, trabalho, observação direta, …) como um termômetro de um médico. O termômetro mede a febre do paciente. A pessoa com febre tem que tomar um antitérmico e ver a causa da febre. Depois de muitas mudanças , em 2005 estacionamos nos conceitos O para ótimo, MB para muito bom, B para bom, R para regular e I para insuficiente. Este era o nosso termômetro: com O , o aluno tinha atingido todos os objetivos traçados por nós . E com I, o menino podia ser reprovado. Não que o fosse de cara, pois nenhum professor gosta disso e acha que esse é seu objetivo final. Nós administrávamos os remédios: mais exercícios para o aluno ou ele ficava fora da hora fazendo recuperação, enquanto o professor dava aula em outra turma . Mas, às vezes, o remédio não fazia efeito. Então, depois de várias oportunidades, se reprovava. O I era um indicador da febre.

    Agora, imagine que o mesmo médico foi avaliado e ficou abaixo da média esperada . Mas esse médico trabalha muito, não tem material e nem estrutura para atender, e, ainda tem sob sua responsabilidade 500 pacientes. O chefe do nosso médico, nada satisfeito, decreta que o termômetro está errado. E , no lugar de lhe dar maiores condições de trabalho e tempo para a total recuperação dos pacientes, ele troca o termômetro. Assim, o doutor tem um termômetro que é incapaz de medir a febre. Por experiência, ele sabe quais pacientes seus têm febre e precisa de auxílio. Mas a última moda na medicina ( pode ler na educação) é o tal termômetro! E o médico é avisado de que vai ganhar recursos se 90% de seus pacientes não tiverem febre. Não recursos para ele, mas sim para o seu consultório ( nem isso ele acredita mais!). E vida que segue… ele receita um remédio ali, outro aqui ! Alguns pacientes se recuperam, mas ele não pode exigir muito de ninguém. Nem dos que já poderiam sair da UTI, pois seu termômetro nem mede as grandes melhoras. Na dúvida, o médico dá muletas a todos: quem já pode correr ganha muletas e quem está acamado também ! “Vamos passear pessoal, os teóricos dizem que faz bem ! “ E todos vão de muletas ! Alguns rindo de si mesmos e outros se arrastando atrás.

    Na Escola Municipal estaremos assim. Nosso termômetro não marca mais a febre e nem a recuperação completa ( nem I e nem O). O aluno que deveria ser reprovado, não o será pois isso acaba com qualquer auto -estima ( dizem as teorias). E o aluno que podia voar mais alto, não o fará pois … para quê ? O adolescente não tem essa maturidade para saber que tem que estudar para aprender. Ele pode até estudar com prazer, o que é o ideal sem dúvida, mas ele precisa saber que pode permanecer na série se não fizer o que lhe pedem. Mas na vida não é assim? Se os senhores não trabalharem o que acontece ? Só que a escola está totalmente desvinculada do mundo. Tratamos o aluno como um desvalido emocional, incapaz de se curar da febre. Quebrem os termômetros !

    A única diferença do médico é que os pacientes irão morrer e nossos alunos ficarão com a falsa impressão de que estão evoluindo, pois passam de ano ! Os pais não terão mais como saber o que está acontecendo com seu filho de fato, pois só um conceito irá para casa ! O aluno será etiquetado em um só conceito ou R (regular) ou B ( bom) ou MB ( muito bom). Colocamos os conceitos todos em um liquidificador e pasteurizamos tudo . O menino não será visto como melhor em uma disciplina do que outra , o que é o normal porque todos nós temos aptidões diferentes. Ele será … R, B ou MB.

    Estamos matando aos poucos esses garotos, devagar , bem devagar, de-va-gar-zi-nho,… Tirando as oportunidades, vendo o aluno da escola municipal como um pouco capacitado,…é uma covardia ! Não quero e não vou compactuar com isso . A população tem que ser bem esclarecida: nós, professores, não concordamos ! No final do ensino fundamental, na 8a série ou 9o ano ou final do 3o ciclo, todos ganharão o diploma! Será uma bela estatística ! Mas do que valerá o diploma ? O que será destes meninos ? Como ganharão a vida ? Façam mais presídios, diminua mais ainda a idade penal, … e sejamos honestos: fechem as escolas públicas !

  2. EU QUERIA ESA APROVAÇAO AUTOMATICA POR QUER ISSO A PREFETURA ESTAVA QUEMO POR QUER ELES QUERIA ISSO POR POR QUER ISSO VAI EMCINA MAIS AINDA AQUER QUER NAO QUER NADA COM ESTUDO

  3. APROVAÇAO VAI MDA ESTUDO PARA MELHORES EMCIMO PUBULICO VAI DO RIO DE JANEIRO OS DUPUTADOS EMTAO SER TO COM ISSO eles vao quer aprede mais vai respeita amiha duvida comtas falta o aluno vai ser empuso da escol

  4. Perfeito! Além disso, a avaliação proporciona ao professor a possibilidade de verificar se as estratégias de ensino estão dando certo!

    • Obrigada , Amigo!
      Escrevi isso em um momento de pura revolta contra o Sistema de Ciclos da Rede que era mais nada que a Aprovação Automática.
      Ainda estamos colhendo os frutos dela, mas a rede Municipal está se erguendo de novo. Paciência !
      Beijos

  5. Andrea, concordo plenamente com você e é óbvio que também não quero compactuar com isso… minha dúvida é se hoje os alunos considerados Insuficientes ficam reprovados. A propaganda do atual governo diz que a aprovação automática acabou, mas a prática está me parecendo bem diferente…

    • Se você viveu aquela época em sala de aula , como eu, sabe que mudou! Não mudou tudo que queríamos mas o vale tudo, não tem mais! Quem deseja realmente trabalhar sabe que pode fazer seu trabalho. Antigamente, tudo valia: menos ensinar! Pense nisso!

  6. Oi Andrea! Não vivi aquela época não, justamente por isso é a minha dúvida: sou nova na rede… bom saber que as coisas mudaram. Fico realmente mais animada e esperançosa com essa notícia. Bjs!!!

    • Mudou sim!!! Não está perfeito ( longe disso) , temos muito o que fazer, mas estamos trilhando um caminho possível! Pessoas com ideias e energias novas, como você, farão a diferença! Conheço o seu trabalho e acredite: temos outra rede para trabalhar! ( não é perfeita, repito)

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