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Mudança das Regras do Jogo – Professor

Essa semana jogaram um balde de água fria ( bem gelada) na cabeça dos professores da rede municipal do Rio de Janeiro. Neste ano estamos implantando o ciclo, de maneira meio truncada mas vamos nós ! Porém, nenhuma mudança no sistema de avaliação se deu até agora. Só que, nesta semana, soubemos que a avaliação mudará de 5 conceitos caímos para 3. Assim, pasteurizaram a avaliação. Quanto maior a gradação nos conceitos mais fácil será para o aluno entender o que está acontecendo com ele.
Mas o pior é que : NÃO PODEMOS MAIS REPROVAR. Passou pela sua cabeça a velha frase: “Reprovar não adianta nada. O aluno que é reprovado não apresenta melhoras. Fica sem ânimo.” Pois bem, não acho que seja bem assim. Reprovar não ajuda se o professor não fica atento as modificações que têm que ser feitas na sua aula para ajudar aquele aluno reprovado. Não acredito na reprovação em massa, como era feito quando entrei no município ( a 13 anos atrás) onde metade de uma turma ficava reprovada.
Porém temos alunos que necessitam deste passo atrás para continuar, eles mesmos percebem o que aconteceu e se recuperam bravamente. Tenho vários exemplos disto. É que tratam nosso aluno como um desvalido emocionalmente, pouco capaz de se frustar e de assumir seus erros. Que geração a gente está formando ?
E tenho mais novidades, tão ruins quanto as anteriores: o nosso aluno será avaliado com um só conceito no final. Lembra do seu boletim, onde se lia as disciplinas com as suas notas ou conceitos? Dez em matemática, seis em ciências ou A em história, D em português, lembrou ?

Agora vamos etiquetar o aluno: João será R ( regular), Maria será B ( Bom) ou Pedro será MB ( Muito Bom). E só ! Acabaram -se as diferenças ! Quem era melhor em Ciências ou em Línguas,vai estar massificado em um conceito só .
E somaremos isso com o fato de estarmos availando o aluno no sistema antigo ,e ,só agora ( uma semana antes dos conselhos de classe) somos avisados disso. Veja bem : avisados, nunca consultados.
A qualidade vai cair ainda mais, o município do Rio tem 2,5 de média nas avaliações federais ( em 10). E depois ainda teremos que ouvir que os professores são os culpados pois não sabem dar aulas, não tornam a aula prazerosa, não animam o aluno ( somos animadores de auditório? ) e não sabem avaliar.

Isso é um insulto !
Desculpe-me o desabafo ! Mas não estou nada satisfeita!
Você colocaria o seu filho nesta escola?

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15 Comments »

  1. Andrea!
    Até quando aguentaremos tanta coisa? Existe muito mais pra lutar do que só pelo salário. E falando nesse então, que desespero! Sem comentários!

  2. Coisas do governo, mas não ficamos espantados mais.
    Daqui a pouco isto chegará na faculdade, assim ele irá se formar, quando vc estiver na mesa de cirurgia e o médico entrar, a enfermeira irá falar:_ doutor assina aqui.
    Ele responderá:_ onde está a almofadinha…..
    Vai meter o dedão na almofada e em um segundo estará lá a assinatura do médico que irá te operar.
    Mas não fique triste com isto, pois este mesmo médico pode acabar operando um deles também.
    Ah, esqueci, eles irão sair do país e se tratarão em outro lugar.

    Bom, ainda tenho uma esperança…. Que Deus tenha piedade de nós!!!!!!!!

  3. Oi Andrea!
    Nossa que Quando dava aulas para classes de 3ª série, em 1985, os alunos recebiam os boletins com os conceitos bom, suficiente, não suficiente… Nas reuniões com pais a pergunta que mais ouvia era esse B que meu filho tirou vale quanto? E para o histórico escolar do aluno não tem que aparecer nota de zero a 10? pelo menos era o que acontecia na época: o aluno recebia o conceito, mas para a secretaria os professores precisavam enviar as notas e de cada disciplina!
    Um beijo
    Miriam

  4. Andrea,

    Enquanto educadores como você, como nós,tiverem a capacidade de se indignar com situações como essa e muitas outras, ainda há esperança. Nem tudo está perdido. Juntemos nossas vozes!!!!!

    Grande beijo
    Gládis

  5. Andrea, antes de comentar gostaria de saber algumas coisas… Essa falta de reprovação se dará durante todo o ciclo? A ausência de avaliação durante o ano, inclui a avaliação processual feita pelo professor, ou se refere só a provas? Abraços, Erika

  6. Andréa,
    o que me pega é a facilidade como se altera sistemas, possivelmente tendo que voltar atrás logo mais, por que as novas medidas não convencem nem resolvem por si só os desafios que o sistema educacional precisa enfrentar. Não há como construir um sistema educacional consistente sem parceria entre os profissionais envolvidos em seu planejamento e implementação. E parece que estamos mais falando de disputa de poder do que de planejamento educacional… Dificil.
    abraço e tempos melhores aí no Rio! Lilian

  7. Oi Andrea!
    Concordo com sua indignação e não acho correto mudar as regras no meio do jogo!
    Acredito que as mudanças devam ser discutidas com o coletivo antes de serem implementadas, mas infelizmente sabemos que as coisas não acontecem assim!

    Situações como esta me fazem refletir…

    …mais importante do que implementar uma nova organização curricular (no caso, os ciclos) ou os critérios de avaliação, é mudar a proposta pedagógica gradativamente. Não adianta mudar o ‘nome’ e continuar fazendo do mesmo jeito. Ciclos sem retenção de alunos exigem uma forma de trabalhar e avaliar diferente. O aluno deve ser constantemente acompanhado para que possa superar suas dificuldades no decorrer do processo, não no ano seguinte. Isso demanda um trabalho diferenciado por parte do professor e um atendimento especial aqueles que precisarem.

    Espero que vocês consigam superar esta situação e garantir a aprendizagem dos alunos, apesar das dificuldades. Bom trabalho!!!

  8. Absurdo mesmo o que estão fazendo com a educação no Brasil. Acho que todos nós, que estamos comprometidos de alguma forma e nos dedicamos e desejamos uma sociedade melhor e mais justa precisamos desencadear um grande movimento. Seria preciso mover toda a sociedade civil. Discute-se tanto a questão da violência…Por esse critério, qual seria o conceito dado ao Champinha? Os profissionais do magistério tem que se organizar e cobrar dos burrocratas e políticos soluções democráticas e pedagógicas e não demagógicas! Imagino o que Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Mario Lago, Cecília Meireles e tantos outros não tem sentido lá no andar de cima ao ver o que estão fazendo com a educação no Brasil!
    Não me esqueço quando aos 10 anos, recebi um conceito I em Matemática… um colega “CDF e convencido” que tirou O (ótimo) disse: isso é porque você é matematicamente Ignorante! Quase morri de vergonha quando todo mundo riu. Sorte que sempre tive uma boa estrutura familiar e levei para o lado do desafio! Isso é retrocesso!! Só falta a volta da palmatória e do joelho no milho. VERGONHA!!

  9. oi sou de curitiba,vamos trocar ideias e atividades trabalho na rede municipal aqui.o que acha??beijos rosi

  10. Está perfeita a sua explicação…dia 23/05 faremos
    uma paralisação no município do Rio contra tudo
    isso.

  11. Chegamos ao limite. Como podemos trabalhar em uma proposta em que não acreditamos, ao contrário, repudiamos, por todas as razões que você expôs.Esse é o momento de nos unirmos.

  12. Concordo plenamente com vc! E isso está alastrado pelo Brasil todo! Como vão conseguir um país mais justo e desenvolvido dessa forma???
    Indignados, nós estamos!!!

  13. As escolas públicas para a ELITE continuam com concurso, nota, média, e se o aluno não corresponde ao que é investido, é convidado a se “retirar”, ou seja, é jubilado.
    Nosso aluno da rede municipal está, cada vez mais, longe desta realidade… Não terá condições, a não ser que seja superdotado ou auto-didata, de competir com os alunos de outras redes…
    Por que neste país de tando pobres, com uma desigualdade tão imensa, para o POBRE a oferta é de um ensino POBRE? Querem formar apenas o cidadão que leia e escreva um bilhete, faça contas simples e saiba APERTAR os números da urna eletrônica para mantê-los todos no poder.
    O Rio de Janeiro que “enche a boca” em dizer que é a maior rede da América Latina, será palco do maior caos já visto na Educação desde país. Alunos bons ficarão desmotivados, professores bons também…
    Pessoas (que não sabem ao menos se comportar como alunos) que estarão na escola apenas para merendar e passar o tempo, visto que já estão aprovados.
    No início do ano que vem, na matrícula, a mãe vai levar p/ casa: 2 camisetas, caderno, lápis, livro, algum vale-alguma-coisa e o certificado de conclusão do Ensino Fundamental.
    Volto a repetir: quem TEM QUE SE MOBILIZAR SÃO OS RESPONSÁVEIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Eles são eleitores, eles votam nisso que está aí??????

  14. Colegas do Rio,
    Fiquei bem surpresa ao ver essa notícia a respeito de ciclos e reprovação. Tive que confirmar várias vezes a data, pois me pareceu estar voltando no tempo.
    Precisamente em 1994, quando da implantação da escola plural em Belo Horizonte.
    Pareceu-me viver um “dejavu”(não tenha certeza da ortografia), ou seja, aquela sensação de estar revivendo algum momento do passado…
    Os questionamentos de vocês são os mesmos que fizemos. Nós tentamos lutar contra também e, infelizmente, não tivemos força para impedir o projeto da escola plural, muitos professores até o defenderam.
    Como resultado, deposis de tantos anos: a escola municipal perdeu ótimos alunos para as ecolas estaduais, as escolas particulares lotaram, nós professores ficamos desmoralizados ( pois passamos o aluno sem saber, alunos chegam na oitava série sem saber ler, não sabemos ensinar…) as famílias deixaram de se preocupar e de acompanhar os filhos, pois eles passam de qualquer jeito!
    Enfim, o nível dos alunos piorou demais e as escolas ficaram esvaziadas com grande números de professores excedentes, tendo que conseguir vagas em escolas muito longe de casa.
    Espero que vocês tenham melhor sorte aí no Rio!

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